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O Brasil está chegando perto de ter uma população formada por duzentos milhões de habitantes. Desse total, cerca de vinte milhões nasceram nos últimos dez anos. Isso nos leva a concluir que existem cerca de 200 mil cardiopatas congênitos graves com menos de dez anos e, seguramente, só uma pequena parcela deles passou por tratamento adequado. Sem falar nos milhares já existentes. Muitos foram atendidos cirurgicamente, mas devido a várias circunstâncias, ainda carecem de tratamento intensivo para viver com qualidade de vida mínima. É o caso do meu filho, por exemplo, confinado em casa e com grandes limitações.
Se a nossa população crescer na mesma proporção, e isso não acontecerá, pois nossas autoridades não farão nada para diminuir esse crescimento, em mais dez anos, poderemos chegar a duzentos e cinqüenta milhões de habitantes. Isso equivale dizer que, teremos quatrocentos mil novos cardiopatas congênitos, no mínimo, para atender. O serviço público de saúde, somado à rede particular não tem capacidade para atender nem dez por cento da demanda atual e essa possibilidade será menor no futuro, caso as nossas políticas públicas de saúde não passem por mudanças radicais.
O atendimento necessário a essa população é caríssimo e o foco está voltado para outras áreas, consequentemente. Nos últimos cinqüenta anos, só foi criado um grande centro de referência nessa área e é o único com capacidade de dar um atendimento correto, se bem que, quando comparado aos grandes centros, está em grande defasagem.
Nos Estados Unidos e na Europa Ocidental a situação só melhorou com a providencial e eficaz ajuda da iniciativa privada, em especial, das organizações sem fins lucrativos. A pergunta que não quer calar é: Estamos preparados para enfrentar a demanda atual (duzentos mil crianças + milhares de adultos) de cardiopatas congênitos necessitados de tratamento (cirúrgico namaioria dos casos) em todas as fases? E quanto ao futuro, estaremos preparados para atender a demanda (quatrocentos mil novos casos) como ela precisará? Ou vamos esperar o incêndio começar para depois ver como é que fica?
Infelizmente, mais de oitenta por cento dessa população de cardiopatas congênitos é pobre e sem qualquer apoio na área da saúde. Não existe uma Bolsa Saúde, ainda.
O Projeto Coração Valente pretende fazer a diferença nessa área e você pode ser parte dele. Participe desde já.
Deus o abençoe abundantemente
Lou Mello





