Auxiliando pequenos corações doentes a pulsarem melhor


Viagra não pode ser visto mais como medicamento útil apenas para os pais. Os medicamentos podem, muitas vezes, ser usados para vários fins não relacionados, é o que verifica-se com o Sildenafil, a versão genérica do Viagra, que pode ajudar as crianças e jovens adultos com problemas cardíacos, também.

 

Um recente e breve estudo percebeu que esse medicamento ajudou a melhorar o funcionamento do coração em um grupo de crianças que tinham um tipo específico de cardiopatia congênita.

Sildenafil já é usado para tratar a pressão arterial elevada nos pulmões, e algumas evidências tem mostrado que pode ser capaz de tratar adultos com insuficiência cardíaca.

David Goldberg, MD, cardiologista pediátrica do Hospital Infantil da Filadélfia, conduziu o estudo como parte de um grande estudo clínico de fase 2 chamado de “Sildenafil após a operação de Fontan (SAFO)”.

Este pequeno estudo incluiu 27 crianças e adultos jovens – idade média de 15 – com um problema cardíaco chamado doença cardiáca do ventrículo único paliativo.

Este defeito ocorre quando um dos dois ventrículos do coração não foi totalmente desenvolvido, de modo que o coração tem um tempo muito mais difícil de bombeamento de sangue para o corpo. (Normalmente, o ventrículo direito bombeia o sangue para os pulmões e o esquerdo para o resto do corpo.)

Cada um dos participantes já havia recebido uma cirurgia no início da infância chamada de operação de Fontan, a última das três cirurgias normalmente realizadas em pessoas que têm esse defeito de um único ventrículo.

O procedimento de Fontan redirecciona a circulação de sangue de modo que o sangue proveniente do resto do corpo é enviado directamente para os pulmões para ser oxigenados em vez de ir através do coração, liberando o ventrículo bom para fazer o trabalho do coração de bombear sangue para o resto do corpo.

Os 27 participantes receberam sildenafil (Viagra) ou uma pílula de placebo durante seis semanas. Em seguida, os participantes não tomaram nenhuma medicação por seis semanas mudaram para o tratamento oposto durante seis semanas. Em outras palavras, aqueles que tomaram sildenafil até agora tomaram o placebo e vice-versa.

Os participantes não sabiam quando estavam tomando a droga real e quando eles estavam tomando o placebo, e nem a pessoa que lhes deu a medicação.

Equipe do Dr. Goldberg utilizou ecocardiogramas, que são ultra-sons para o coração, para medir quão bem o coração bombeava sangue nesses participantes. Eles descobriram que a ingestão de sildenafil levou a melhorias significativas na capacidade de bombeamento dos ventrículos nessas crianças e adultos jovens.

Devido ao fato dos pesquisadores não entenderem completamente o sistema biológico que afeta o modo dos ventrículos trabalharem, eles não podem saber com certeza como Sildenafil trabalha nestes pacientes.

Estudos anteriores, no entanto, forneceram algumas pistas e Goldberg disse que mais estudos devem ser realizados para descobrir se a melhoria no desempenho de bombeamento do coração pode durar mais do que um curto prazo e se pode melhorar a qualidade de vida para esses pacientes.

Embora os procedimentos de Fontan possam melhorar a mortalidade e a circulação cardíaca em pessoas com ventrículo único e subdesenvolvido. Pessoas com esse defeito ainda tem problemas em longo prazo e algum risco de morte prematura.

“Se Sildenafil for seguro a médio e longo prazo, e se produzir ​​melhorias funcionais duráveis, os pacientes com a doença cardiaca do ventrículo único poderão ter o seu primeiro tratamento eficaz a longo prazo”, disse Goldberg.

O estudo foi publicado on-line em fevereiro na Cardiologia Pediátrica do jornal. A pesquisa foi financiada por concessões do H. Mark Harrington e M. Blache Foundation, de corações grandes para pequenos corações e do National Institutes of Health.

Tradução: Lou Mello

Fonte: Daily Rx Relevant Health Newx  via Pequenos Corações


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Novas opções de tratamento

Finalmente, uma boa e grande notícia

Encontramos uma dentista, Dra. Maria Antônia Cano, que se dispôs a fazer as extrações necessárias em meu filho. Ela já começou, a primeira etapa foi no dia 25 de abril e fará mais duas, a principio, uma no dia 03 e outra no dia 08 de maio. Sem dúvida há competência ainda em nosso planeta. É difícil achar, mas há, creia. A grande ironia é, que no final das contas, ela atende no posto de saúde municipal , a uma quadra de nossa residência atual. Pode?

Se já não é fácil tratar de cardiopatas congênitos bebes ou crianças, espere só até eles se tornarem adultos. Aí você entenderá completamente o tipo de missão para a qual foi designado.

Por essas e outras, resolvemos trabalhar em sintonia (veja bem, não estou dizendo “parceria”) com a ACHA (Adult Congenital Heart Association). Não sei
porque, mas tudo começa no primeiro mundo, sempre e depois nós tratamos de imitar. Pior, foi só eu começar a falar nesse tema dos cardiopatas congênitos adultos e a concorrência, surpreendemente, começou, também. Está surpreso, pois é, até no meio das organizações sem fins lucrativos (sic) a coisa anda na base do samba do afro descendente doido. Coisa estranha.

Enfim, o Projeto Coração Valente, tentará manter-se fora dessa via nada honrosa. Temos nossos propósitos e nossas metas. Queremos trazer ganho à causa dos cardiopatas congênitos. Todos carecem de informações e orientação e, uma boa parte, precisa bem mais do que isso, devido a carências sociais. Acho que você sabe o que estou dizendo.

Voltamo-nos para a questão dos cardiopatas congênitos adultos naturalmente, ou seja, agora sou pai de um cardiopata congênito adulto. Isso não quer dizer que perdi o interesse nos bebes, crianças e adolescentes com cardiopatias congênitas complexas. Bem ao contrário. Nosso filho estaria bem melhor se algumas decisões de saúde tivessem ocorrido de outra maneira. Nossa experiência pode ajudar muito aos pais e pessoal de saúde engajados no tratamento dos pequenos.

Pretendemos continuar apoiando, com tudo que tivermos, às crianças cardiopatas congênitas e estender nossos trabalhos em direção aos CC Adultos. Fato que já tem acontecido inclusive. Faz parte de nossos objetivos dar apoio à algumas das associações que trabalham na causa da Cardiopatia Congênita. Nosso trabalho se dá mais na área da informação, desenvolvimento (relações públicas e captação de recursos) e consultoria. Enquanto outras iniciativas dedicam-se ao trabalho de campo, junto dos cardiopatas congênitos e seus parentes, nos hospitais e centros de atendimento.

Para terminar, continuamos precisando muitíssimo do seu apoio em favor do Projeto Coração Valente, como um todo e particularmente para o tratamento de nosso filho. Confesso que não estou dando conta mais, nem do mínimo necessário. Nesse momento, tenho pela frente uma necessidade de mais de R$ 5.000,00 para as quais disponho de muito pouco, até o momento. Se desejar unir-se a mim nessa luta, passe me nosso site (Projeto Coração Valente) e faça sua contribuição. Deus saberá recompensá-lo por isso.

Agradeço muito sua atenção e carinho em acompanhar o andamento de nosso projeto.

Fique me paz, meu desejo é que Deus o abençoe abundantemente.

Lou Mello

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As dores da vida

Nesta quarta-feira nosso filho irá se submeter a uma seção de extração dentária. Para a maioria das pessoas, nada demais, mas para um cardiopata congênito procedimentos tão simples como esses podem ganhar contornos dramáticos. Nada a ver com o fato em si, muito mais com as incertezas, as perguntas sem respostas e essa coisa perversa que é a nossa capacidade de pensar, fantasiar e delirar. Pior, até um cardiopata congênito a tem.

Uma amiga nossa, dos tempos em que éramos felizes e não sabíamos, ou pelo menos não imaginávamos que estávamos no auge da alegria e muito menos que a vida esfregava as mãos de olho no que nos aguardava, precisava comprar um medicamento vital ao tratamento do câncer que a acometeu, só que o negócio custa a ninharia de mais de seis mil reais a caixinha. As duas ou três primeiras você consegue, mas depois vem tempo em que a única solução é ficar sem, feito a viúva que assou os pães para o profeta com o resto de farinha que havia na lata e depois sentou, agarrada ao filho, para esperar a morte chegar.

São as dores da vida, que chegam a todos, para cada um de uma cor. Uns creem na solidariedade entre os seres humanos, outros em suas posses, alguns até se submetem às ninharias oferecidas pelos governos e o grande contingente que espera em Deus o seu alivio, nem que seja a morte, de repente.

Estou triste sim. Vi meu filho passar por duas cirurgias de tórax complicadíssimas, UTIs, recuperações, mil médicos, enfermeiras, fisioterapeutas e dezenas de profissionais. Era um tal de espeta aqui e acolá que não acabava mais, mas acabou e voltamos com ele para casa. Um dia um malvado me disse na cara, sem gaguejar que eu deveria estar grato, pois muitos outros não tinham tido a nossa sorte.

Gosto daquela cena do filme “O Destino do Posseidon” quando o pastor vivido pelo Gene Hackman, antes de mergulhar para a morte, grudado em uma válvula que precisava grita a Deus: “O que o você quer mais? Quantas vidas você precisa para se dar por satisfeito? Então toma mais uma… a minha”. Não sei se Deus faz esse tipo de coisas, sei apenas que de nós tiraram quase tudo e o que resta está sob intensa ameaça, quiçá nossas vidas.

Honestamente? Não quero pedir nada a ninguém, nem a Deus. Cada um faça o que desejar e se seu desejo for não fazer, não faça. A essa altura, quase nada fará diferença. Nem irritar-me as pessoas estão conseguindo mais. Estou perigosamente cansado e desanimado.

Seja como for, por favor, tentem não piorar as coisas. Parem de pagar políticos, juízes, pastores, padres e deuses impostores. Acolham um cachorrinho abandonado ou, se tiverem mais coragem, uma criança que ninguém quis amar, talvez uma cardiopata congênita ou síndrome de down. Pelo menos deitem uma oração ao Deus desconhecido e/ou verdadeiro, hoje antes de dormir. Coisa rápida, tipo Deus tenha piedade de nós.

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